Como ensinar atitudes científicas

A bióloga argentina Melina Furman é uma das defensoras da corrente investigativa de professores no ensino de Ciências. Essa corrente propõe a utilização de situação-problema para oferecer aos alunos a oportunidade de observar, levantar hipóteses, fazer registros e tirar conclusões.

Utilizando situações problemas, Melina Furman afirma que os professores permitem ”que as crianças e os jovens avancem num processo que possibilitará a formação de um pensamento sistemático, crítico e autônomo, capaz de prepará-los para enfrentar os desafios da atualidade dentro e fora da escola”.

A Revista Nova Escola entrevistou Melina Furman e destacamos aqui algumas perguntas que julgamos mais relevantes.

1-  Qual deve ser o foco do ensino de Ciências na escolarização básica?

Um estudante deve saber convencer os outros da validade de suas afirmações com base em evidências. Ao mesmo tempo, deve usar o pensamento científico para analisar o grau de credibilidade das afirmações que ouvimos dos outros, tanto das pessoas com quem mantemos contato direto como dos meios de comunicação e de todas as outras fontes de informação no dia a dia.

2-  Qual a responsabilidade da escola nesse processo?

É muito grande, já que as pesquisas em Educação demonstram que o pensamento científico não é algo inato ou espontâneo, mas requer o desenvolvimento de hábitos de pensamento sistemáticos e rigorosos, que exigem esforço e tempo.

3- De que forma os professores devem atuar?

Os educadores devem saber que os modos de fazer e pensar da ciência são parte fundamental do que devem ensinar. Tão essencial quanto examinar o saber já estabelecido é apresentar aos alunos a ciência como um processo, como uma maneira de chegar aos conhecimentos que já dispomos atualmente. Os bons professores de Ciências organizam suas aulas incluindo diversas abordagens didáticas: a realização de experiências, o trabalho com textos, os debates, as pesquisas sobre a história da ciência, as atividades com o objetivo de analisar os resultados dos experimentos feitos pela turma e muitas outras. O importante é que as aulas permitam aos alunos ter um papel ativo.

4- O que faz de um experimento uma boa atividade de investigação?

As boas experiências são aquelas que se relacionam de maneira direta com o tema estudado, que apresentam perguntas a ser respondidas e que não se restringem apenas a receitas que, seguidas passo a passo, confirmam algo que já se sabe. Ao fazer bons experimentos, os estudantes aprendem a manter todas as condições constantes – salvo aquela variável que se quer investigar -, a necessidade de registrar os dados para poder analisá-los depois e a importância de escolher um método de medição ou análise que corresponda aos objetivos, entre muitas outras coisas.

5- Quais os melhores instrumentos de avaliação em Ciências?

O essencial é que o instrumento de avaliação esteja alinhado de maneira coerente aos objetivos didáticos previamente definidos, permitindo analisar se os estudantes realmente desenvolveram as habilidades propostas nas aulas. Uma estratégia para criar boas avaliações é propor aos alunos que respondam a situações-problema. Para resolvê-las, não basta dominar as definições e os conceitos: é necessário compreender os fenômenos estudados para usar as soluções em um novo contexto.

Ainda sobre professores de Ciências no Ensino Fundamental ela declara: “será nossa tarefa aproveitar a curiosidade que todos os alunos trazem para a escola como plataforma sobre a qual estabelecer as bases do pensamento científico e desenvolver o prazer por continuar aprendendo”.

#FicaDica

Aqui no blog já comentamos sobre a utilização de situações-problema nas postagens: Legislação Ambiental: assunto de escola e Sedução da imagem. E também já retratamos as 5 etapas da boa investigação.

Fonte da imagem: Revista Nova Escola

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