Os Gênios das Feiras

“Nunca o Brasil foi tão premiado na Feira Internacional de Ciência e Engenharia (Intel Isef), considerada a Copa do Mundo das feiras de ciências, que reúne trabalhos de alunos do mundo inteiro.”


Essa frase foi publicada recentemente na Revista Época (Ed. 627, 24 de maio de 2010) na reportagem intitulada “Os gênios das feiras“.  O texto apresenta um breve resumo da boa atuação dos jovens cientistas brasileiros, principalmente da estutande Tamara Gedankien – 1º lugar em Ciências Sociais.

“Ela aplicou uma metodologia de ensino numa classe experimental de alunos de sua escola para comprovar que eles aprendem melhor matemática quando ensinados com elementos de sua própria cultura.”


A atuação dessa jovem demonstra duas situações já apresentadas aqui em nosso blog:

1) De cientista e louco… todo mundo tem um pouco: um texto que apresenta e questiona sobre os rótulos que perseguem os profissionais da Ciência. A imagem que as grandes mídias apresentam de cientistas não estão de acordo com a jovem Tamara. Ela então, não é uma cientista? Ou a idéia que algumas pessoas têm de cientista é que está distorcida? Responda você mesmo…

2) Cientista também é social: a falsa idéia de que cientistas pensam somente em plantas e animais irracionais é desmistificada também pelo trabalho da jovem Tamara, já que utiliza-se de métodos científicos e da cultura de um grupo (veja uma das definições do termo: cultura). Utilizou-se da ciência para a melhoria de uma determinada região, o que poucos conseguem perceber do cientista.

Outro trabalho apresentado e premiado na feira foi o do brasileiro João de Castro David Junior, 3º lugar na categoria Medicina e Saúde.

“A idéia do trabalho de João veio de sua avó. Ele observou que ela usava uma planta para repelir os insetos. A partir daí, ele foi atrás da explicação científica para o inseticida caseiro e acabou criando um produto biodegradável como alternativa natural, e de baixo custo, para substituir os inseticidas sintéticos que podem causar danos irreparáveis ao meio ambiente e para a saúde humana.”

via Blog do Prof. Junior

O  senso crítico desse jovem reafirma uma das preocupações mais marcantes de nosso blog:

# O ensino de ciências, as mídias e o senso comum: a utilização do senso comum pelo ensino de ciências é uma prática constante, porém não é sempre que nossos estudantes conseguem deixar esse “conhecimento cultural” e fixar o científico. É constatado frequentemente que os estudantes terminam o Ensino Médio ainda comentendo gafes científicas e acreditando em ‘contos’ apresentados pelos parentes mais antigos. O jovem cientista João utilizou-se de um conhecimento prévio e popular para comprovar e  afirmar de maneira científica a eficácia de um inseticida natural.

Outros trabalhos premiados estão no Cientistas Campeões, vale a pena o clique!

O contraponto da reportagem está no trecho a seguir:

“A excelente participação brasileira, no entanto, não pode ser interpretada como um reflexo da melhoria do ensino de ciências ou da metodologia científica (como conduzir uma pesquisa, apresentar dados em relatórios, defender teses) nas salas de aula. Em São Paulo, uma avaliação da rede estadual mostrou, em 2009, que metade dos alunos conclui o ensino médio sem entender o que é ciência.”

Você acredita nessa afirmação?


#FicaDica

Para que nossos estudantes, em particular os sul-mato-grossenses, saiam das escolas mais científicos, conhecendo os processos e as etapas de um trabalho científico é preciso que lhes seja apresentado de maneira crítica e não somente repassado como “mais um conteúdo”.
Uma de nossas tarefas, como professores e educadores, é decidir se iremos possibilitar aos nossos pequenos a Ciência ou a Ciências.

Esse artigo é participante do movimento blogs unidos

Fonte da Imagem: Revista Época

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3 Respostas para “Os Gênios das Feiras”

  1. alisson leonel 21. set, 2010 at 14:42

    parabens pelo seu belo trabalho,e projetos impressionantes